terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Boa Morte
Em alguns países como: Uruguai, Holanda, Bélgica, Suíça, Áustria e os Estados Unidos da América (apenas dois estados, Oregon e Califórnia) a prática da eutanásia está legalizada. Essa palavra deriva do grego "eu", que significa "bom", e "thanatos" que significa "morte". A eutanásia é a prática pela qual se abrevia, sem dor ou sofrimento, a vida de um enfermo incurável, e representa atualmente uma complicada questão de bioética e biodireito visto que se trata da manutenção da vida de uma pessoa, o que gera grande polêmica.
O método da eutanásia pode ser dividido em dois grupos: "eutanásia ativa" e a “eutanásia passiva”. A ativa tem por objetivo pôr término à vida, na medida em que é planejada e negociada entre o doente e o profissional que vai levar e a termo o ato. Já a "eutanásia passiva" consiste em cessar todas e quaisquer ações que tenham por fim prolongar a vida, não é um ato que provoca a morte (como a “eutanásia ativa”), mas também não há nenhum que a impeça.
Há quem defenda o direito à morte com dignidade e há quem entenda que não cabe aos homens pôr termo à vida. Neste debate de escolha pela morte, ocorrem conflitos de interesses e opiniões diferentes, fundamentadas pelo percurso de vida e por componentes biológicos, psico-afectivos, sociais, econômicos e culturais que caracterizam cada um de nós.
A eutanásia é sem dúvida um caminho para evitar a dor e o sofrimento de pessoas em fase terminal e sem qualidade de vida, um caminho consciente que reflete uma escolha informada, o término de uma vida em que, quem morre não perde sua dignidade até ao fim.
Uma pessoa que está em fase terminal deveria ter o direito de decidir se quer ou não viver “presa” em uma cama, sendo alimentada por sondas e tendo máquinas que a mantém viva até que seus órgãos parem um por um. Não há sentido viver nessas condições, se é que em tais condições pode se falar em vida. Quando o Homem passa a ser prisioneiro do seu corpo, dependente na satisfação das necessidades mais básicas; o medo de ficar só, de ser um "fardo", a revolta e a vontade de dizer "não" ao novo estado em que se encontra leva-o a pedir o direito de morrer com dignidade, "A dor, sofrimento e o esgotamento do projeto de vida, são situações que levam as pessoas a desistirem de viver" (Pinto, Silva - 2004 - 36). Indivíduos que se encontram nessas condições devem ter uma boa morte, a eutanásia é a única forma de preservar a dignidade do ser humano quando só lhe restam o sofrimento e a dependência extrema.
Com o avanço da medicina e da tecnologia não há porque sofrer meses ou até mesmo anos se existe a opção de uma morte digna, sem dor e sem sofrimento (tanto para o acamado quanto para a família). Infelizmente nossa sociedade levará muito tempo para compreender tal situação e parar de usar a religião como escudo.
(Juliana Tocchio)
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